terça-feira, maio 16, 2017

Das histórias que vagueiam por aí...

Foi há muitos anos, já nem sei quantos, que conheci a Júlia. Estava institucionalizada porque quem teria a máxima responsabilidade de tratar dela não o tinha feito. Foi aí que conheceu aqueles que, independentemente de já terem filhos criados, decidiram levá-la para a sua casa e para as suas vidas. Depois, fizeram o mesmo com a sua irmã, a Teresa.
Na altura conheci-os a todos. E, nestes anos, sabendo bem que nunca mais nenhum deles terá pensado em mim, eu recordei-os muitas vezes. À vontade de recomeçar da Júlia. À desconfiança da irmã. À capacidade de se entregar a duas pré-adolescentes de um casal já com filhos formados.
Hoje regressei à instituição. E, no meio de tantos outros assuntos e dramas, perguntei por elas. Contaram-me, com agrado. Como a Júlia se tinha formado. Como a irmã estava bem e casada. Como o casal mantinha a sua relação familiar e de apoio às duas.

E eu, que nunca consigo acompanhar o futuro dos que passam por mim, hoje tive a imensa sorte de obter um vislumbre do que foi um bom recomeço. E, de mim para mim, fiquei de coração cheio de sabê-las bem, como mereciam.  Só me resta esperar que, mentalmente, lhes tenha chegado o meu abraço e sopro: boa sorte, Júlia, boa sorte, Teresa...
Rita 

segunda-feira, maio 15, 2017

E porque hoje é Dia Internacional da Família...

Resultado de imagem para o que faz a família é o amor



Viva a família, todas as famílias que lutam diariamente pela partilha de um dia-a-dia harmonioso e salutar, mesmo quando nem sempre o conseguem proporcionar.
Viva as famílias de quem decide ter filhos e as de quem decide não os ter e também as de quem não conseguiu ter ou perdeu os que tinha.
Viva as famílias grandes, numerosas. E as que não o são, seja ou não por convicção.
Viva as famílias com um pai, uma mãe, dois pais, duas mães. As de uma pessoa bem e só. As que têm avós e bisavós, estejam ou não entre nós.
Viva as famílias que se divorciaram e resistiram e sobreviveram e que todos os dias fazem esforços para se pacificar e até meio caminho caminhar.
Viva as famílias que decidiram adotar, por decisão, opinião ou porque a vida lhes deu o empurrão.
Viva as famílias que moram longe e que vivem com saudade e viva as que moram perto sem contrariedade.
Viva, essencialmente, as famílias que partilham a tristeza, a alegria, o passado, o futuro, a conversa, a euforia.
Viva a minha família, de onde vim, de quem gosto tanto. E aquela que encontrei. E viva muito, tanto (!), a que formei... E, para sempre, a dos bons amigos de que me rodeei…


Rita

domingo, maio 14, 2017

A propósito de babywearing...

Ao que parece, é o último dia da Semana do Babywearing. Acho muita piada ao termo, fico sempre com a ideia de que se trata de nos vestirmos com o nosso bebé... O que é algo que de facto se aproxima à realidade...!

Quando tivemos a Alice, pedimos um "canguru", daqueles clássicos das marcas mais populares, e foi com ele que contámos para a transportar. Mas quando nasceu o Vasco, aderi aos slings, de cuja existência tinha ficado a saber por blogs perdidos por esta internet fora. Com a Joana, para além do sling emprestado (e outro feito carinhosamente para mim), uma amiga arranjou-me um pano, daqueles feitos em tear, de padrão lindíssimo...

Eu confesso-me totalmente fã de babywearing... Mas claro que cada método tem vantagens e desvantagens. 

Se os membros de um casal tiverem tamanhos muito diferentes (como acontece cá em casa) e só quiserem investir num método, o "canguru" poderá ser uma boa ideia. Contudo, têm de ter a noção que aquele de formato mais clássico (falo naquele que eu tinha, mas sei que agora existirão com certeza muitos mais modelos) poderá não dar para os primeiros meses e não se estender muito no tempo. Recordo-me ainda de, quando a Alice começou a ficar mais comprida, levarmos com os pés dela a baterem-nos nas pernas, o que era bastante incomodativo.

Gostei muito do sling e as suas grandes vantagens são, de facto, o podermos transportar o bebé logo desde recém-nascido e durante muito tempo da sua meninice. A Joana tem 03 anos e eu, de muito longe em longe, ainda levo o sling na mala, para ter a certeza que poderei carregá-la caso seja necessário. Já não o faço, porque ela adora andar e correr de um lado para o outro, mas poderia, em caso de necessidade (que pode surgir se ela estiver muito cansada e eu precisar das mãos livres). O sling também tem essa grande vantagem, a de poder colocar-se dentro de qualquer mala e andar sempre à mão. As maiores desvantagens que encontrei foi o facto de não ser de fácil adaptação (muitas amigas nunca chegaram a gostar e contavam que os bebés também não - já eu, como desejava muito usar, adaptei-me muito bem e tanto o Vasco como a Joana adoraram) e de fazer doer bastante um ombro quando o filhote já pesa e há necessidade de o carregar durante algum tempo. Os meus miúdos foram sempre peso-pluma, mas recordo que, na altura em que acompanhávamos a Alice a uma atividade, andar uma hora a carregar o Vasco de um ano e tal, não era fácil...

Por sua vez, o pano foi uma descoberta muito agradável por alturas da terceira filha, quando eu saltitava de um método para o outro de forma descontraída. Tem a desvantagem de ser mesmo muito grande e de as suas pontas arrastarem pelo chão quando o estava a pôr, depois de sair do carro... o que num chão molhado da chuva não parece muito boa ideia - eu gostava tanto do resultado que resolvi não me importar... O pano é muito confortável, principalmente porque faz o peso do bebé assentar por cima das costas no seu todo. Como nos enfaixamos bastante com ele, ficamos quentes, o que o torna num método excelente no Inverno, provavelmente não tanto no Verão. Em tempo muito frio, ainda dá para vestir um casaco por cima, o que não é tão fácil com o sling...

Que se desengane quem pense que só se recorre ao babywearing para transportar um filhote na rua... Em casa, quando ele parece queixar-se de cólicas ou, por algum motivo, não consegue sossegar-se, ou a mãe e o pai precisam de fazer algo enquanto o adormecem ou entretêm... é sempre uma boa solução... 

Não sei se este post ajudará alguém a escolher um método de babywearing... mas, mais do que isso, talvez ajude pais e mães a perceber que "vestir um bebé" é ótimo, é aconchegante e caloroso, independentemente de como se o faça... tê-los encostados a nós é promover a união, a terapia pelo toque, o sentir, o amor. 



Rita

domingo, maio 07, 2017

Eu não posso dizer que gosto muito do dia da mãe...

...  e sei que é porque não tenho filhos.
Também sei que é porque em casa dos pais não se comemorava o dia da mãe além do beijinho e das iniciativas pessoais que poderíamos ter, fazendo pequenos presentes ou dedicando poemas e papelinhos com mensagens de amor. O mesmo posso dizer para o dia do pai ou o dia da criança. Eram dias que não faziam parte do nosso calendário familiar. 
Agora mais recentemente, porque a Rita é mãe, porque os dias para os meus pais são mais iguais e todos os dias são bons para arranjar motivos para ir comemorando a vida, o dia da mãe também é lembrado. E não é que sinta qualquer tipo de ciúme pela minha irmã (quem me conhece sabe que eu sou uma tia muitissimo babada dos meus sobrinhos - e tenho mais seis além dos três da Rita - tanto que conto as peripécias deles com tanta frequência e mostro fotos que quem me ouvir, no início é capaz de pensar que são meus filhos) mas posso dizer tenho pena. Claro que também eu gostava de receber mimos em dias especiais, mas tenho pena sobretudo por não ser o colinho especial que só se pede à mãe...

Mas pensar no dia da mãe, para mim é também pensar no quanto somos bombardeadas com temas alusivos à maternidade como um estado de completa felicidade.
Acho que posso falar por todas as mulheres que gostavam de ter sido, ou gostariam de vir a ser mães, quando afirmo que toda aquela publicidade ao maravilhoso que é ser-se mãe, à descoberta de um amor incondicional, ou à plenitude da felicidade com a maternidade, quando digo que estes argumentos são demasiado redutores para a própria mulher. Primeiro porque não são verdades. Nem todas as mulheres são felizes com a sua maternidade e podem não sentir amor incondicional pelos seus filhos, e provavelmente sentem-se em algum momento culpadas por não serem sempre felizes. Segundo porque para se ser mãe é preciso ter filhos, e nem sempre a vida é facilitadora nesse aspecto. Tanto a umas, como a outras, os meus parabéns por aguentarem mais um dia da mãe.

Não quero de forma nenhuma menosprezar os sentimentos dos outros mas pergunto se as pessoas que fazem a apologia da felicidade associada à maternidade não estão muitas vezes a ser hipócritas com elas próprias. E se assim não for, se essas mesmas pessoas teriam a capacidade de ser felizes se estivessem, por exemplo, na minha situação de não mãe. 

A felicidade pessoal não pode passar "apenas" pela maternidade, com não pode passar pelo "casamento", ou pelo "curso"... A felicidade tem de ser um sentimento de procura interna que passa por nós próprios, e apenas por nós. Temos de conquistar a nossa felicidade por simplesmente sermos capazes de ficar felizes, nem que seja pela felicidade dos outros. 

E depois desta teorização toda... Parabéns a todas as mães. Às que estão felizes. Às que são o colinho tranquilizador. Às que merecem esse colinho.



Ana Cristina

terça-feira, maio 02, 2017

Preocupações da minha filha mais nova

Nos trabalhos de 24 horas, tiramos bocadinhos... para beber um café, para almoçar, lanchar, jantar. Nunca pode ser muito tempo nem se pode ir muito longe. Comigo, como moro perto de casa, consigo vir jantar com o homem e os miúdos. Consigo até deitá-los, dar os beijinhos de boas noites, antes de tornar a sair. É importante para mim, calculo que também o seja para eles. 
No feriado, consegui também almoçar em casa. Mas giro foi quando à noite me despedi e ela, a pequena, com três anos, me instruiu, depois de se certificar que eu ia trabalhar e só voltaria de manhã:
- Porta bem, mãe... Não bate nos amigos, não morde nos amigos...

Portanto, colegas de trabalho, de todos os trabalhos mas principalmente daqueles que de longe em longe nos organizam em equipas de 24 horas, segundo indicações da minha filha mais nova, podem ficar descansados, prometo que, mesmo que tenha muita vontade, não vos bato nem vos mordo...
Rita

segunda-feira, maio 01, 2017

Foto com história



1 de Maio de 1974 de manhã em frente ao Palácio de Queluz
Fotógrafo; pai
Modelos; eu e um representante, provavelmente surpreso, do Movimento das Forças Armadas - MFA

De tarde fomos pra Lisboa
Ana Cristina

domingo, abril 30, 2017

Abril foi um mês de chuva, pelo menos pra mim

O mês de Abril veio com más notícias para uma boa amiga. A maldita doença revelou-se num exame de rotina. E se ela e quem está com ela diariamente não dormiram até ao dia da cirurgia, eu posso dizer que também perdi o sono. A junção de recordações antigas relacionadas com as datas (o dia em que foi operada é um dia histórico para a família, o dia de aniversário da minha mãe, o próprio dia 25 de Abril que trás com as comemorações as recordações) com a preocupação com a sua saúde e a saúde dos meus pais, trouxeram a sensação mista que, por um lado a vida é demasiado curta, por outro lado de vez em quando é preciso fazer pausas para recuperar energias interiores. 

Tudo junto teve o efeito de não ter efeito nenhum. O diário gráfico, projecto criativo que me tinha proposto para este ano, ficou descurado. Este blog, pra variar, também. A casa e uns projectos de organização ficaram em stand-by (que é o mesmo que dizer que tudo está um caos). 

Então, ainda ontem, dei por mim a dizer à minha amiga que ela tinha de encarar de frente a situação que lhe aconteceu, enfrentar as propostas de tratamento e seguir em frente, coisa que ela sempre fez e que desta vez não será diferente. Depois, fui a casa dos pais e a minha mãe estava tranquila, a aproveitar a vida e a rir-se com as cenas dos netos. Hoje li os comentários no facebok acerca do post que a Rita escreveu sobre o seu aniversário e chorei. Chorei por ela. Chorei pelo meu pai. Chorei pela minha amiga. Chorei pela Rita. Chorei por mim própria. 
Mas todos os choros têm um fim. E este fica por aqui. Com o final do mês.

Até amanhã. 
Ana Cristina

sexta-feira, abril 28, 2017

A nossa mãe faz setenta e dois anos


Faz hoje setenta e dois anos e eu podia falar tanto acerca dela, mas só me ocorre dizer que, atualmente, aos setenta e dois anos, uma das grandes lições que ela me ensina, todos os dias, é que é triste quando se é ou se começa a ser definido por uma doença.
A minha mãe está doente há cinco anos e, neste momento, esse pesadelo em forma de doença é quase todo o seu presente. Mas, no seu passado, ela foi muitas outras coisas... filha, irmã mais velha, estudante preguiçosa, colega, amiga, namorada, mulher, companheira, professora, lutadora, mãe, avó... inteligente, sensata, justa, teimosa, atrasada, leal... hoje, é essencialmente ataxia... e também é todas as pessoas que, não tendo intencionalmente prejudicado ninguém ao longo da sua vida, são castigadas com definhamento antinatural...

Ela continua a ser, para mim, das pessoas mais extraordinárias que conheci na minha vida. Orgulhosamente imitável em muitos sentidos. 
Sempre foi presente como avó, em todas as fases da vida dos netos. Cá em casa a dormir e a dar apoio quando nasceu a primeira. A vir de transportes todos os dias para ajudar quando nasceu o segundo. Em todas as festas de aniversário, de escola, de atividades extra, de datas a comemorar, de projetos da escola. Em períodos de doença. Em fins-de-semana, em férias. Sempre que eu e ele precisávamos de uns momentos a dois. Tal como tinha feito comigo e com a minha imã, esteve sempre lá, presente. 

Quando a Joana nasceu, ela já estava doente. Menos do que agora, claro está, ou não fizesse a ataxia parte dessa lista das degenerativas. Na altura ainda falava bem, ainda andava, ainda pegava nela, embora insistíssemos que o fizesse sentada, não fosse dar-se um desequilíbrio como já acontecera e depois passou a acontecer muitas vezes. Mas o que verdadeiramente interessa é que, tal como sempre, continuou presente. Sempre que pôde e depois sempre que era acompanhada e depois sempre que as circunstâncias permitiam. 
A Joana não se lembra, é claro, não se poderá lembrar. Nem da avó a pegar nela, nem de pé, nem a andar, nem sequer a falar com ela. 
E eu, durante muito tempo, lamentei-o. Tanto. Que ela não pudesse ser a presença na vida dela que tinha sido na dos outros.
Mas, na semana passada, levei a minha mãe a um exame médico. E expliquei à Joana o que ia fazer. E, no fim desse dia, por sua própria iniciativa, ela perguntou pela avó, se ela já estava melhor. E continuou pelos dias seguintes. 
Porque a presença nem sempre é andada, pegada, falada. Muitas vezes, a presença... só é. Chega para deixar marca. Tudo o resto que já não está lá, trataremos nós de mostrar.

De forma que ergo o copo aos setenta e dois de uma das mulheres mais importantes da minha vida, a minha mãe. E concluo que uma das grandes lições que ela me ensina, todos os dias, é que uma das melhores formas de ser definido na vida de alguém, é pela presença. 
Rita

quarta-feira, abril 26, 2017

«Posso só acabar de...»

«... ler esta página?»
«... acabar de ouvir esta música?»
«... ver este episódio?»
«... jogar este jogo?»
«... dizer isto à ...?»
«... acabar este vídeo?»

LIVRA!!!!!!!!!!!!!!!!!
Rita

Nota: e a terceira ainda não conta para esta lista...

terça-feira, abril 25, 2017

Quarenta e três anos depois

Não tenho qualquer dúvida que o dia 25 de Abril de 1974 foi importantíssimo na minha vida.
Quase de certeza que hoje seria uma pessoa bem diferente se naquele dia (que podia ter sido outro com certeza se os militares de Abril tivessem marcado outra data) as pessoas não tivessem sentido que aquele era o momento de mudar.
Para mim, uma menina de seis anos acabados de fazer, o dia 25 de Abril de 1974 foi um dia que recordo pela alegria que senti por ver as "minhas pessoas" felizes. Recordo a empolgação do meu pai e a impulsividade com que rumou pra Lisboa ao contrário do que seriam as indicações que teria recebido, a cautela alegre com que a minha mãe lidou com o assunto, não indo à escola naquele dia e ficando comigo em casa a ouvir rádio (deixou para o dia seguinte a retirada da foto do Sr. Marcelo da época). Recordo também a chegada dos amigos lá a casa pela noite adentro. Todos se abraçavam e choravam de alegria.
Ao post que escrevi há onze anos, no início deste nosso registo não tenho quase nada a acrescentar.
O meu 25 de Abril de 1974 foi um dia alegre, e gosto sempre de o recordar, assim como gosto de recordar os outros 25 de Abril que se seguiram. Aqueles em que eu e a Rita íamos para a janela de manhã gritar para as pessoas que passavam na rua "25 de Abril Sempre! Fascismo nunca mais!". Aqueles em que desfilámos na A
venida, e foram muitos (mesmo muitos).
Este ano lá estivemos, numa nova adaptação às circunstâncias de quem leva crianças pequenas. Éramos um grupinho no meio de muitos. Sim, este ano também fomos muitos, muitos mil a celebrar Abril...
Ana Cristina

domingo, abril 16, 2017

Caça aos ovos da Páscoa - 2017!

Passaram quatro anos desde a primeira caçada aos ovos cá de casa. Em 2015 não me organizei para a conseguir fazer e os miúdos lamentaram o facto, tanto que desde aí comprometi-me comigo mesma a dar o máximo para lhes oferecer uma espécie de caça ao tesouro anual. 
Não tinha a certeza que iria conseguir porque o fim-de-semana estava parcialmente dedicado a um torneio de futsal do Vasco, onde os horários dos jogos de segunda volta eram dependentes dos resultados dos de uma primeira... logo... não havia a noção quando iriamos estar em casa, se ou quando conseguiríamos conseguir fazer um almoço de família... a juntar-se-lhe, as variáveis "turnos de irmã enfermeira" e "jantar de aniversário de amigo"...
Na verdade, a caça aos ovos de 2017 foi alvo de muita pesquisa mas de poucas ideias... a sua forma foi moldada na noite de sábado, quase repentinamente, como me acontece com muitos projetos criativos... A maior dificuldade era tentar juntar três filhos de idades tão diferentes (11, 08 e 03 anos) na realização de atividades comuns... mas acho que consegui...

Assim sendo, este ano não houve enigmas espalhados pelas várias divisões da casa, a possibilitar o achado de pequenos ovinhos de chocolate... 
Rezava assim o início da grande Caçada aos Ovos da Páscoa de 2017, entregue em mãos à caçadora mais velha:

«Olá a todos!
Como sempre, cá estamos para mais uma caçada ao ovo...
Todas as caçadas são um bom desafio e uma grande conquista. Este ano, mais ainda. Para conseguir os ovos, vão ter de superar 12 desafios, em conjunto. Alguns têm tempo, outros não. Todos os ovos conquistados terão de ser divididos igualmente pelos três "coelhinhos" e, no fim, ser oferecidos à restante família...
O jogador que vai buscar um desafio tem de ser vendado e partir, às cegas, com a ajuda da família. O envelope do desafio tem de ter a sua inicial... e há os que são falsos...
Depois de lido, o desafio tem de ser cumprido por todos os caçadores. Se a família considerar que o desafio foi cumprido com sucesso, os caçadores entram na marquise para procurar os seus ovos com as ajudas de "quente" e "frio".
A todos... uma boa caçada!!!»

Ou seja, à vez, os miúdos eram vendados e partiam para encontrar um bilhetinho com a sua inicial, através das ajudas e indicações dadas pelo pessoal da família que os rodeava:


Na posse dos papelinhos, tinham de cumprir os três o desafio proposto, ou em conjunto, ou separadamente mas com o mesmo objetivo. No fim, com o desafio cumprido, entravam em casa e, numa única divisão, procuravam ovinhos, mediante as ajudas de quem os tinha escondido enquanto eles realizavam as suas tarefas. Embora algumas confusões e complicações, acho que o objetivo de que os três tivessem que fazer algo em conjunto foi amplamente realizado... e divertido...

A parte mais engraçada foi, obviamente, o cumprimento dos desafios:

«O Vasco é o carrinho de mão da Alice, que ela tem de fazer ir de um lado para o outro do pátio. O carrinho leva um balão, que a Joana tem de ajudar que não caia, mas sem o ir a segurar pelo caminho...
Tempo!»


«Têm de saltar ao pé coxinho.
Joana: dez vezes, com ajuda, no mesmo sítio.
Vasco: ir e vir de um lado para o outro do pátio, trocando o pé quando chegar ao muro e virar.
Alice: ir e vir três vezes, com o mesmo pé, e dar uma volta sobre si no final de cada volta.»


«Colocam-se em fila e, com um balão entre cada um, têm de ir de um lado para o outro e regressar, sem os deixar cair.
Tempo!»


«No chão há umas linhas a percorrer.
Joana: a andar em cima de cada uma delas.
Vasco: a andar com os pés na linha do meio e as mãos em cima de uma das linhas das pontas (à escolha).
Alice: a andar com os pés em uma das linhas das pontas e as mãos em outra das linhas das pontas.
Para o Vasco e a Alice, é ir e voltar.
Tempo!»


«Colocam-se em fila e têm de ir até ao outro lado do pátio e voltar. Para lá, avançam passando um balão por cima das cabeças de cada um. Para cá, avançam passando o balão por entre as pernas de cada um. O último da fila vai passando para primeiro e assim sucessivamente...»


«Têm de levar um balão até à outra ponta do pátio.
Joana: na mão esticada.
Vasco: numa colher, na boca.
Alice: na ponta de um dedo, o mínimo.
Tempo!»


«Fazem uma linha, de mãos dadas: Vasco, Alice, Joana.
Recebem o arco e têm de conseguir que o arco atravesse a linha dos vossos corpos, ou seja, que entre por uma "ponta" e saia pela outra...
Tempo!»


«Têm de fazer um desenho ou escrita.
Joana: de um sol.
Vasco: dos nomes próprios dos manos, de olhos vendados.
Alice: do nome completo mais comprido que está cá em casa hoje, de olhos vendados.»


«Com os vossos corpos em conjunto, têm de fazer três animais, um de cada vez...»
(Uma serpente... e, na segunda foto, seria uma girafa antes da Joana resolver estragar a figura...)


«Têm de cantar uma canção inteira, ao mesmo tempo, em cima do muro.
Joana: sentada.
Vasco: deitado.
Alice: de pé.»



Para além dos fotografados, foram feitos outros dois:

«Joana: quantas patas tem a Fera?
Vasco: quantas pernas existem hoje cá em casa?
Alice: quantos pares de narizes existem hoje cá em casa?»

«Joana: tem de agarrar três vezes o balão que lhe é mandado.
Vasco: tem de cabecear dez vezes o balão, sem parar.
Alice: tem de fazer a seguinte sequência de toques, de seguida: cabeça-mão-outra mão-joelho-outro joelho-pé-outro pé.»

Garantem-se momentos bem divertidos, para quem queira aproveitar algumas das ideias...
Rita

sábado, abril 15, 2017

Um parque é só um parque...?

O cenário foi o parque infantil da Praça José Fontana, em Lisboa. Um feriado de manhã, não demasiado cedo mas ainda cedo o suficiente para estas aventuras, tanto que eramos os únicos. Era até difícil decidir ficar com ou sem casaco, uma vez que o sol, tanto aparecia tímido, como se revelava com mais força por entre as nuvens.
O pai e a mana foram a umas consultas e eu rumei com os outros dois à descoberta do parque.

É sempre engraçado ir a um novo parque. Alguns, como este, têm estruturas bem diferentes, que obrigam a pensar nos obstáculos a superar. Um escorrega sem assento...?! Escadas em que uma parte dos degraus não existe..?!

O Vasco sorria... divertia-o ver uma construção diferente, mas mostrava dificuldade em arriscar...



Desde pequenos que qualquer um dos meus filhos teve sempre à vontade, leveza e descontração em matéria de movimentos. A coordenação surge-lhes naturalmente. Não obstante, nenhum foi particularmente destemido, afoito, aventureiro. Será um pouco óbvio dizer que, enquanto pais, nunca nos importámos, uma vez que sabíamos que eles estariam mais seguros se se mexessem com confiança mas sem maluqueiras...

Agora, de vez em quando, encaro de outra maneira as suas hesitações. Penso no receio que lhes poderá estar subjacente. Pondero se as dúvidas os poderão acompanhar em outras áreas...
Mais do que tudo, o que desejo é que vejam além dos obstáculos, mantendo aquela espécie de aptidão inconsciente e inata para treparem, saltarem, descerem... que acreditem neles, que observem, que pensem... mas que não escolham sempre fugir de um impedimento...

Sei que isto não parece conversa sobre um parque infantil... mas talvez um parque infantil não seja só um parque infantil... talvez aí, como em tantas outras ocasiões, se possa aproveitar para treinar capacidades... aproveitar ter alguém de fora, a ver e motivar, para experimentar subidas alternativas, apoios imprevistos, locais de desequilíbrio latente... aproveitar o estar de fora para mostrar os vários caminhos que se pode seguir, onde se podem colocar os pés, incentivar a experimentar, respeitar os recuos, aplaudir os sucessos...
Ou seja, estimular competências... deles e nossas...
Rita

segunda-feira, abril 10, 2017

Sorte de poucos minutos no Vimeiro - Lourinhã

Gosto tanto quando ando por aí, em trabalho... e descubro que alguém, algures, se divertiu a olhar à sua volta e a usar a imaginação... cá ficam pedaços do imaginário de um artista, no Vimeiro - Lourinhã:


Rita

sexta-feira, abril 07, 2017

Dia de descanso...

Se, depois de 24 horas a trabalhar, alguém nos aconselha a ir apanhar sol, isso é...


... as costas encostadas à parede e o traseiro sentado no chão do pátio, um livro, um café, boa companhia... ao sol, claro...
Rita

quarta-feira, março 29, 2017

Na Estefânia

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Ontem estive na Estefânia. Hospital, entenda-se. Uma suspeita que a Joana pudesse ter uma infeção urinária. Ia muitas vezes à casa-de-banho e contorcia-se de dores. 
As urgências da Estefânia estão em obras, há uns mesitos. Na parede de uma das salas, um écran novo apresentava várias categorias: muito urgentes, urgentes, pouco urgentes e outras duas (na condição de renegadas para quem se encontra com um problema súbito de saúde e deseja ansiosamente não ser algo muito mau mas que se mantenha num nível de urgência que permita ser atendido rapidamente). À Joana foi dada pulseira verde. O écran atribuía à sua categoria a misteriosa numeração "4:43", que desejei ardentemente não ser respeitante a horas e minutos.
Entre triagem, observação médica, colheita de urina, análise à urina, conclusão médica, estivemos por lá duas horas certas. Nas várias salas para onde fui encaminhada, com a Miss Goffre, várias crianças com mais do que um acompanhante - a fazer-me lembrar a reclamação de uns amigos acerca de só poder estar um deles com o filho no Hospital de Cascais (independentemente de carrinho, casacos, sacos, etc). 
Reparei também, como reparo sempre, nos pais e filhos à minha volta. Uma mãe chinesa, com filha adolescente (e tradutora) e com filha pequenita. Casal paquistanês com bebé. Línguas diferentes, de quem deve ficar ansioso por ter de explicar o estado de saúde do seu filho e tem de o fazer numa forma diferente da que lhe seria natural. E, do lado de lá, profissionais que nos recebem a sorrir, se metem com os miúdos e têm que lidar com uma amálgama cultural, perceber o que se passa, diagnosticar, encaminhar, tratar.
As minhas palmas hoje vão para o Hospital da Estefânia. Público. Antigo, a funcionar desde 1877. Com jardim cá fora. Com urgências em obras. Por vezes a abarrotar, outras nem tanto. Com famílias de todos os tipos. Com brinquedos velhos e muito usados. Com salas em que dois progenitores podem acompanhar o seu filho, ou progenitores e irmãos, ou progenitores e avós, ou um progenitor e dois avós, ou um bairro inteiro. Onde todos são atendidos. E bem. Por vezes, em duas horas (outras vezes mais, outras vezes bem menos, como no sábado passado de manhã, em que tivemos de levar a Alice, por suspeita de fratura numa mão, que afinal se revelou um quisto sinovial). 
Bravo. 
Rita

Nota: só para que não se preocupem, a mocinha entrou com possibilidade de infeção urinária mas saiu de lá com cólicas. 

segunda-feira, março 27, 2017

Descubra as diferenças


Sim, numa primeira imagem são parecidos.
Mas não se enganem. A Misha é uma menina-gata de olhos grandes e verdes e pêlo comprido. O Cobi é um menino-gato em que tudo é redondinho; os olhos amarelos, a barriguinha e a cara. Não parece nas fotos mas ela é bem maior que ele mas mais magrinha.
São os dois lindos e às vezes são apanhados na mesma situação ou de maneira a confundir o olhar.



 Ana Cristina

quinta-feira, março 23, 2017

Dias de porcaria...



Hoje, depois de dar um pequeno toque com o carro, de ouvir uma boca que achei incorreta e desmotivadora e de dar praticamente 90 euros à Emel (ainda estou a saber quem conseguiu este extraordinário "tacho" à Emel que lhe dá competências policiais de passar coimas que não envolvem os seus lugares de estacionamento)... só os miúdos mais velhos a rirem às gargalhadas com um filme antigo da Joana a dançar com eles para ficar bem disposta...
Rita

segunda-feira, março 20, 2017

Hoje, no dia do equinócio da primavera...



... em que em todo o mundo, tanto o dia como a noite, têm 12 horas, Dia internacional da Felicidade e, apesar de grande parte do dia já ter passado, SORRIA...

Porque vem aí a primavera, os dias bons e as roupas leves.
Ana Cristina

domingo, março 19, 2017

Catorze anos de Fera


Nesta semana que passou, a primeira filha cá de casa completou catorze anos. 

Já lá foi o tempo em que saltava para dentro do frigorífico, ou para a cabine do duche enquanto eu tomava banho, que mamava no lóbulo da minha orelha, que ir a correr buscar os papelinhos mínimos que atirávamos para longe, que deliciava os transeuntes na rua com as suas turras na janela quando eles se metiam com ela do lado de lá do vidro. Agora, embora ainda queira ir ao pátio, já não sobe a muros e a parapeitos. Mas, havendo uma escada de incêndio, ainda há uns meses se atirou de lá em voo para caçar um pardalito que lhe captou o olhar. E depois, de uma forma extremamente hábil que lhe desconhecia por completo, torceu-lhe o pescoço num ápice e comeu-o todo, não ficando nem uma peninha para contar a história - deixando-nos na dúvida sobre a quantidade de vezes que aquilo já poderia ter acontecido.

Com esta idade, as suas aventuras resumem-se essencialmente a saltar para o sofá, de preferência quando eu lá estou, ou ir ter comigo à cama assim que a porta se abre e ficar a dormir quanto possa, enroscada em mim. No entanto, continua a manter a sua extrema paciência com os irmãos-pessoinhas e, com anos de permeio, a suportar os mimos brutos que estes lhe fazem até aprenderem a lidar corretamente com a sua doçura... e continua a ser a minha companheirona, a minha querida Fera... por falar nisso, vou buscá-la, que ela faz-me falta aqui no sofá...
Rita