quarta-feira, agosto 16, 2017

Uns dias, só miudas

A pequena andava há muito tempo a perguntar quando é que vinha pra casa "da tia". A grande por vontade dela já tinha vindo, nem que fosse para passar uns dias sozinha se o meu horário não colaborasse. O rapazote não pode vir porque tinha a agenda ocupada com acampamento e diversão por outras bandas. Pelo meu lado, estava mesmo necessitada de uns dias só de brincadeira, daquele cansaço que dá energia. 
E assim, tiraram-se uns dias quase só entre miúdas (o tio não contou, esteve a trabalhar). Foram só 3 dias e meio mas pareceram umas pequenas férias e, apesar da Joana não estar no seu melhor (uma virose, com certeza), foram muito bons. Cumpriram-se as rotinas que se tornam clássicas da casa dos tios, como cantar e dançar no hall de entrada (de preferência com a tia a gravar), fazer pilhas de almofadas e mantas na sala, deixar a tia dormir de manhã, comer em frente à televisão, ver pelo menos dois filmes dos que estão gravados na box e que eles já conhecem, experimentar novos exercícios (desta vez de desafios de ioga vistos rapidamente no youtube e repetidos ainda mais depressa, imaginem), brincar ao monstro das cócegas e tirar montes de fotografias. Ainda se tiraram uns curtos períodos para ir brincar no parque e passear no centro comercial, fazer umas comprinhas e comer fast-food.

Mas claro que também se teve um tempinho para alargar as vivências, quem sabe a ser repetidas numa próxima visita. 
Desenhar e escrever uma carta ao mano, numa experiência que se torna cada vez mais rara, mas que é sempre interessante. Mandámos dois desenhos com pequenos escritos, beijinhos e corações.
Usando lençóis, mantas e imaginação, desta vez montamos tendas na sala; a maior por debaixo da mesa e a pequena com um pequeno estendal. Estas tendas foram  bem aproveitadas, quer pela Alice quer pelos gatos da casa que as viram como mais um desafio, e por vontade da Alice teriam servido para acampar dentro de casa mas a Joana não aprovou. Claro que os de quatro-patas não necessitaram de chegar a acordo com mais ninguém a fizeram das tendas seus refúgios. 
Fizemos tratamento de beleza, com direito a fazer massagens umas às outras, pintura de pequenas madeixas azuis no cabelo da loura (das que saem com a lavagem, claro), manicura e pedicura com verniz cor-de-rosa à pequena, verniz com brilhantes e estrelinhas à pré-adolescente e verniz transparente à tia que, pela primeira vez em muitos anos se vê com as unhas das mãos pintadas (de forma muito discreta) e até acha graça.


Eu adoro vê-las interagir. Aquela relação de dependência da mais nova, aquela cedência e protecção da mais velha misturada com fases de isolamento e irritação pelas criancices. Cada uma a usar as suas armas de sedução, as duas a fazer pequenos ajustes, as duas a reclamar mas a adorar brincar uma com a outra. 
São quase como eu e a Rita; uma loira, outra morena, com cerca de oito anos de diferença. A desenvolver uma relação que tenho esperança se venha a tornar tão forte como a nossa.

Foram-se embora no outro dia, com a declaração de terem gostado. Cá por casa ficou tudo desarrumado; lençóis em cima da mesa, almofadas no chão, a cama por fazer... e eu cheia de saudades e a estudar a agenda para programar novo período, o que vai ser difícil, pra variar. 
Ana Cristina

segunda-feira, agosto 14, 2017


Ser uma terceira filha tem sempre pontos negativos... talvez, essencialmente, o facto de nunca se ter, dos outros, nomeadamente dos pais, a disponibilidade completa...

Recrimino-me sempre por não ler todos os dias para a Joana como lia para a Alice e para o Vasco. O hábito foi diminuindo de filho para filho, numa dinâmica inversamente proporcional ao cansaço e afazeres. No início do ano letivo passado, em fase de reformulação de planos e projetos, surgiu a ideia de pôr todas as noites a Alice a ler para ela, enquanto o Vasco treinaria a leitura comigo, num processo conjunto. O problema é que depois começam os treinos e atividades, os fins de tarde a correr com um para o futsal, com outro para a ginástica, e o dia que é de trampolim, o outro que é de xadrez, aquele em que o pai dá treinos, aqueloutro em que a mãe tem expressão dramática... o que, do par de adultos, fica em casa tem de escolher roupas para o dia seguinte, preparar o jantar, aprontar tudo para quando o resto da família chega... infelizmente a leitura fica sempre para demasiado tarde...

Até que chegam as férias... 
                                            as atividades cessam, 
                                                                               a respiração abranda... 

Tenho feito um esforço para lhe ler, todas as noites. Talvez como forma de compensação, leio duas ou três histórias antes do dormir. É bom constatar-lhe a evolução na concentração com que acompanha... Contudo, tenho que reconhecer que o melhor momento é quando, chegada ao fim a minha leitura, começa a dela. Quer sempre contar a história, num hábito que não me recordo de os outros gostarem tanto, e é nesse momento que lhe vejo... as partes que fixou, as que preferiu, as que repete, as que esquece, as que não entendeu...
Claro que espero que o próximo ano letivo traga um pouco de maior organização e tempo para as minhas leituras. Mas interiormente, o que espero é mesmo que haja tempo para a ouvir a ela e que continue sempre a gostar de recontar o que ouvir...
Rita

segunda-feira, agosto 07, 2017

Preocupações de uma menina com quase 12 anos

Já não nos víamos há bastante tempo devido às férias e as saudades eram bastantes. Falámos do fim-de-semana prolongado no Algarve que passou com as amigas, do quanto estava morena e com imensos sinais, do corte de cabelo, dos irmãos e das amigas dela, dos grupos whatsapp e de redes sociais, de assuntos vários como é costume entre as nossas conversas. Saltámos de assunto para assunto como boas conversadoras. Pelo meio...
- Sabes tia, estou um bocado preocupada com a questão da Coreia do Norte. Não quero que ataquem os Estados Unidos, apesar do Trump. Além disso o Brasil está no mesmo continente e não quero que sofram. São nosso irmãos. Mas fiquei contente porque a guerra da Síria acabou. Fiz uma festa aos saltos e tudo (com demonstração incluída, não fosse eu não ter conseguido visualizar os festejos). Não achas tia? Agora há menos guerra no mundo.
- Ainda há demasiadas. Há demasiados conflitos no mundo... os conflitos no Iraque, em Israel, na Turquia ...
- Tens razão... Ainda bem que é  longe. E que na Síria já acabou. Era a maior guerra e os coitados já sofreram tanto... Não se faz... De qualquer forma é muito longe e não nos atinge...

Fico sempre surpreendida com estes toques de preocupação social. Suponho que seja característica pessoal. É que este é a mesma menina que em pequenina gostava dos políticos que achava que "tratavam bem do planeta", que no inicio do ano achava muito mal que o Trump tivesse sido eleito e reconhecia que o nosso Presidente é do agrado dela.
Ana Cristina

quarta-feira, agosto 02, 2017

Nova experiência.

Há sempre oportunidade para ter novas experiências. Desta vez foi fazer compras pela "Amazon"...


Estou a ficar uma mulher moderna. Qualquer dia pinto as unhas!
😉 Ana Cristina

segunda-feira, julho 31, 2017

Agora também lá estamos!

Desde ontem que também nós, as Oficinas Ranha, fazemos parte de mais uma rede social. Desta vez aderimos ao Instagram, e  claro que já lá encontrámos vários dos nossos contactos, individuais e colectivos. Para os que ainda não estão habituados a esta parceria, às vezes um bocadinho confusa e a roçar a dupla personalidade, vão ter mais uma hipótese de se adaptarem. É que, se ainda não perceberam, nós explicamos. Sabem os gémeos? Unidos por um cordão umbilical invisível? São como nós, mas neste caso umas gémeas nascidas com alguns anos de diferença.


Se quiserem procurem-nos e sigam-nos (quando percebermos alguma coisa desta "nova" rede social, claro).
Oficinas RANHA

sexta-feira, julho 28, 2017

A sobrinha-gata e mais uma sessão de fotografias

Desta vez não veio cá para casa passar férias. Já está menos paciente e os pestinhas, onze anos mais novos talvez não a deixassem ter uns dias descansados como bem merece. Assim, numa visitinha que lhe fiz, matamos saudades de mimo (porque brincar já não lhe apetece) e eu mais uma vez aproveitei para tirar umas fotos. E, para variar, constatei que a Fera sabe bem que é fotogénica.

Ana Cristina